

2008 Esperança paz vida
Um ano que vai embora leva consigo tantas facetas de dias que coloriram ou fizeram opacos momentos serenos ou difíceis. Estes últimos gostaríamos de removê-los dos nossos pensamentos, gostaríamos que não fizessem mais parte da nossa vivência. E, no entanto, estão presentes na memória, sobrecarregados de particulares que querem abrir caminho sempre mais, quase a agigantar uma realidade que deveríamos, ao invés, fazer voltar às suas justas proporções. Reexaminemo-los também estes momentos, estas situações contorcidas que têm sido motivo de sofrimento, mas com um olhar interior diverso. Descobriremos então quanta riqueza de ensinamentos, de experiências também positivas, de novos impulsos podemos tirar precisamente de quanto quisemos definitivamente entregar ao ano que se despediu de nós.
Se as nossas histórias pessoais desenvolvem-se ao longo de percursos cansativos, às vezes decisivos para nós, mas no entanto sempre limitados, bem outra atenção e interesse merece a história da inteira humanidade que abraça vicissitudes e eventos de povos. Gostaríamos de conhecer e apreciar as belezas naturais e artísticas, a riqueza da sua cultura e das suas tradições, o caminho para alcançar uma liberdade sonhada desde muitos séculos.
Infelizmente, muitas vezes conseguem a supremacia fenômenos que não têm nada a que ver com tais valores.
Eis, então, a necessidade que advertimos de “sepultar” num espaço inacessível à humanidade, expressões, ideologias, falsas motivações que semearam – e semeiam ainda agora – morte. Seria, porém, injusto e superficial não fazer memória de holocaustos de milhões de pessoas do passado, e infelizmente também de hoje…
Seria belo abrir a primeira página branca de uma agenda mundial sobre a qual escrever, em todas as línguas: esperança, paz, vida. E lutar por estas, com as forças que temos, ou pelo menos com o desejo de acompanhar, com o pensamento, os novos passos de quem tem dificuldade em sobreviver e em libertar-se da escravidão.
A despeito do pessimismo que tenta invadir âmbitos da vida familiar, social, mas também mundial, queremos fazer prevalecer a força da esperança.
É um hábito novo do qual revestir-nos um pouco todos, se consideramos possível a construção de uma paz duradoura também em vicissitudes intrincadas para inteiras populações. Num clima tranqüilizador de esperança e de paz, cada pessoa, em qualquer latitude, pode reafirmar a exaltação da vida e do seu caráter sacro.