Uma coisa importante
Escrevo esta carta no momento que precede a minha viagem para Turim onde vamos celebrar a abertura do ano centenário da Fundação da nossa Associação.
É um momento muito importante para todos nós: para quem organizou cada coisa com grande esforço e com um entusiasmo ainda maior; para quem se empenhou interiormente fazendo um lindo caminho para este evento; e finalmente para quem teve de fazer uma longa viagem para ter a alegria de estar “presente “. Um centenário é algo singular: não acontece todos os... dias! Organizá-lo é uma empresa muito complexa e requer investimentos de recursos, de todo o género.
O grande desafio é fazer de maneira que este evento não se limite a ser simplesmente um momento celebrativo. A lembrança, a memória, a celebração são trampolins que nos impelem para o empenho.
E a coisa mais importante somos nós. Nós e a nossa vida.
A bem dizer, as coisas importantes, são mesmo poucas. A situação política em Itália, actualmente, por exemplo. Coligações desfeitas, desfeitas e depois reconstruídas. Muda-se tudo para que nada mude (utilizando a frase de um famoso escritor italiano num seu romance muito famoso). É esta a sensação, hoje, na Itália ( e não só).
O modelo ideal do homem político é, a meu ver, Cincinnato: homem da antiga Roma que é chamado pelos seus concidadãos para governar a cidade e quando termina a emergência, e tendo dado um contributo positivo à vida política do seu tempo, volta para o campo a guiar o arado. Hoje, procuro pessoas assim. E não as encontro; e não é porque as pessoas de hoje , já não guiem o “ arado” ! !!
O problema não é só em política. Por vezes, em compromissos e ideais sublimes, o nosso serviço mesmo sendo totalmente dessinteresssado, corre o risco de ser uma gratificação para nós ( o que é humanamente compreensível e eficaz para a própria auto-estima) a tal ponto que o verdadeiro “ serviço” é feito em primeiro lugar a nós mesmos.
Quem é verdadeiramente livre em espírito? Não. Não é fácil, envolvidos como estamos numa sociedade caracterizada pelo bem estar desenfreado, pela exploração dos mais fracos e dos indefesos, pelas obrigações a todos os níveis, pela prevaricação dos astutos.
Se não te adaptas és um imbecil. Estás, de fora, um inútil. É esta a mentalidade corrente. E depois ainda temos a coragem de afirmar que os jovens não têm ideais e estão desorientados.! Como te podes orientar neste deserto educativo decadente!? É que o educador dever ser, primeiro testemunho e depois mestre.
E se és livre de espírito, sendo testemunho, tornaste-te também mestre. És ponto de referência neste desoriemtamento total. Pois a tua “ bússola” está mais no alto, está disponível para todos, não é propriedade privada, não pode ser instrumentalizada. Cristo que pertence a toda a humanidade pois veio para todos os homens, mesmo se muitos ainda O não conhecem. E talvez nunca o conheçam porque nós, que O conhecemos, não O testemunhamos verdadeiramente.
O grande evento celebrativo que nos preparamos para viver constitui, graças á peregrinação aos lugares salesianos- mornesinos, um mergulho nas nossas origens que ainda nos falam de pureza de intenção, de serviço concreto, de promoção humana criada e promovida e não desbaratada, de união com Deus, de serenidade e simplicidade.
Uma lufada de oxigénio para o nosso espírito A presença do Reitor maior, Sucessor de Dom Bosco, de Madre Antónia ,das Delegadas e das presidentes eméritas, de milhares de Antigas Alunas e Antigos Alunos e de Delegadas de todos o mundo dar-nos –ão uma responsabilidade particular porque nos levam a ter consciência da grandeza da Associação a que pertencemos e do grande tesouro de que somos depositárias. De certeza de que voltamos para as nossas casas revitalizadas, rejuvenescidas prontas a retomar o caminho do quotidiano com novas forças, com uma esperança renovada e com “garra “ para enfrentar a realidade e ser verdadeiros testemunhos do Evangelho das Bem- aventuranças.
Levaremos connosco todas as pessoas que, desejavam estar presente fisicamente, mas não puderam estar por motivos diversos.
Até ao próximo encontro.
A vossa Carolina